Já tem um tempo que não consigo acreditar nas amizades, desculpem-me se estou sendo ingrata, mas, além disso, estou sendo sincera. São poucos os que ainda conseguem ser verdadeiros e isso pode contar nos dedos e muitas só preciso de uma mão.
Nos enganamos demais com o que as pessoas falam. O mais interessante, é que elas conseguem mentir a respeito de sentimentos, isso é demais! Muitos se entregam só com os olhos, não sei se tenho uma capacidade de perceber isso ou então, é a minha desconfiança que me permite enxergar. E tem outra opção, elas são realmente descaradas demais. O meu silêncio, a minha timidez também me permite só ouvir e acabo as conhecendo mais, então consigo saber quem realmente é verdadeiro, quem na minha frente é a mesma pessoa quando estou ausente.
Tudo isso, eu bem sei... Somos seres mais que imperfeitos e por saber disso, rogo ao Bom Deus, sempre fiel a mim, que tome conta dos meus amigos, dos que fingem ser e dos que se dizem meus inimigos (se é que tenho algum). Gratidão a Deus por tão grande amor, pois também é por causa dEle que há ainda pessoas capazes de nos tornar melhores do que somos, mas assim, enquanto isso trago comigo o mesmo dizer e a desconfiança da raposa, da belíssima historinha do pequeno príncipe:
(...) "E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia - disse a raposa.
- Bom dia - respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.
- Eu estou aqui - disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? - perguntou o principezinho.
- Tu és bem bonita.
- Sou uma raposa - disse a raposa.
- Vem brincar comigo - propôs o princípe
- estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo - disse a raposa. - Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa - disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- O que quer dizer "cativar"?
- Tu não és daqui - disse a raposa. - Que procuras?
- Procuro amigos - disse. - Que quer dizer cativar?
- É uma coisa muito esquecida - disse a raposa. - Significa "criar laços"...
- Criar laços?
- Exatamente. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessiddade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo...
[...]
A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe:
- Por favor, cativa-me! - disse ela.
- Bem quisera - disse o principe - mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou - disse a raposa. - Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me!
- Os homens esqueceram a verdade - disse a raposa. - Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas." BOA NOITE!
[O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry]
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